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Entrevista ao Director Geral Luís Simões

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Estar atualizado é fundamental, afirma Luís Manuel Simões

A complexidade de uma lesão apenas exige mais conhecimento

Hoje vamos dar a conhecer uma pessoa esquecida por muitos mas muito importante na recuperação de muitos atletas amadores ou semi profissionais. Tem um centro de reabilitação em Coimbra onde mais de 80% dos atletas são tratados. Para quem já teve uma lesão desportiva já reparou que falamos obviamente do enfermeiro Luis Simões.

Era enfermeiro no União Coimbra onde tratava dos atletas da casa, mas depois começou fora do horário de trabalho a receber atletas de outros clubes. Como ou porque surgiu esta apetência para começar a tratar todas as pessoas que o procurassem?

Essa apetência vem de há muito tempo, quando no União de Coimbra, na velha Arregaça, com poucos recursos, tentávamos dar resposta às pessoas que nos procuravam, no sentido de as ajudar a resolver os problemas que apresentavam, e de uma forma suave mas equilibrada foi-se criando o hábito das pessoas nos procurar, e deste modo, de um pequeno gesto, foi surgindo um grande projecto, que fui acalentando, e por motivos diversos teimava em não se concretizar. Neste momento estão criadas todas as condições para que esse projecto passe à concretização.

Luís SimõesDirector Geral

Neste momento tem já um leque enorme de clubes do qual é responsável pela parte de recuperação de lesões, como consegue ter, digamos, “mãos a medir” para tanto trabalho?

O projecto foi-se desenvolvendo por etapas. Como é obvio não consigo chegar a todo lado, ninguém é imenso para chegar a todos os lados em todos os momentos. Assim de há 7 anos para cá que em parceria com diversas instituições de formação creditadas, fui desenvolvendo cursos sobre o tema “Enfermagem do desporto”, e ao longo de todos eles existiram elementos que sobressaíram, alguns para mim completamente desconhecidos, outros que já faziam parte do meu grupo restrito de amigos, e desse modo fui recrutando elementos para a equipa, que fui distribuindo pelos clubes que me solicitavam indicando alguém para desempenhar as funções de enfermeiro na equipa. Já passaram 7 anos, e a equipa que hoje me acompanha cresceu comigo, e hoje fazem parte de um grupo com competências diversificadas, mas cuja base essencial, é comum a todos.

Luís SimõesDirector Geral

Neste momento o seu Centro de Reabilitação está a funcionar das 14 às 20 horas, onde também recebe para além de atletas jogadores, atletas árbitros. É diferente tratar um jogador e um árbitro ou cada pessoa é uma pessoa e cada caso o seu caso?

Sem dúvida que cada pessoa é uma pessoa, também não deixa de ser verdade que os protocolos terapêuticos são muito idênticos perante as mesmas patologias.
No entanto a vertente funcional, ou seja, o tipo de exercício físico que o utente pratica, interfere com o modo com o seu corpo recebe as terapias.
Para alem disso, nunca deveremos esquecer a biomecânica corporal, que só por si altera completamente a forma de abordar o utente na inevitável reaquisição de proprioceptividade, própria de qualquer processo terapêutico. Pelo que tudo passa pela individualização dos processos terapêuticos, adequados à pessoa e não estereotipados como um carimbo igual para todos, o que não quer dizer que tenham de existir grandes diferenças, em cinesiologia (estudo da mecânica dos movimentos corporais) pequenas diferenças traduzem grandes alterações.

Luís SimõesDirector Geral

Sabemos também que vai abrir novas instalações agora em Janeiro, e que estará ligado à recuperação de atletas operados pelo famoso Prof. Dr. Espragueira Mendes, facto que só comprova a sua qualidade e das suas capacidades, o que deve ser motivo de grande orgulho e confiança para si e para quem consigo priva profissional e pessoalmente. Quer falar-nos um pouco de tudo isto, desde o novo Centro à parceria com o Prof. Dr. Espragueira Mendes?

A parceria nasceu naturalmente a partir do momento que a necessidade existiu, de parte a parte, o Sr. Professor devido à falta de uma clínica de referência na zona centro para acompanhar os seus doentes, e da minha parte por, em alguns casos, existir alguma dificuldade no acesso a opiniões especializadas. A sua competência técnica julgo que ninguém a discute, e como tal, facilmente se estabeleceu uma base de colaboração.

Luís SimõesDirector Geral

Temos também algumas questões que nos foram formuladas por pessoas ou atletas que o conhecem, alguns não pessoalmente, e que seguem abaixo:

Que tipo de trabalho é o seu, o que faz exactamente, o que trata e a quem trata?

Tratamos todo o tipo de pessoas, atletas ou não, com lesões do sistema músculo esquelético. O nosso trabalho não é só tratar a lesão, mas sim equilibrar o utente de modo a que a causa da lesão seja limitada, de forma a evitar recidivas, pois muitas destas situações passam pela reeducação funcional e postural dos utentes.

Luís SimõesDirector Geral

Qual o atleta que durou mais na sua recuperação e porquê?

Poderia dizer que existem casos que levaram anos, não me recordo de um especificamente, mas quando se tenta reeducar e quando trabalhamos com jovens o trabalho é diário e pressupõe mudança de hábitos e de comportamentos posturais, leva tempo e perseverança, mas os resultados justificam os meios.

Luís SimõesDirector Geral

Qual foi a situação, ainda dentro da recuperação de jogadores, que o fez sentir realizado, ou “nasci mesmo para isto”?

Todas elas. A complexidade das lesões apenas exige maior número de conhecimentos e de capacidades de intervenção, para mim qualquer lesão é para ser tratada como a mais complicada possível, só fico satisfeito quando damos alta ao atleta.
Obviamente que existem situações que nos marcam, lembro-me de uma situação há uns anos atrás de um atleta que conhecia desde os iniciados e que fez uma ligamentoplastia do cruzado anterior, com um processo arrastado de reabilitação. No inicio da época surge a hipótese de se contratar esse atleta e o treinador questiona-me da sua aptidão. Os relatórios existentes eram minimalistas e a história clínica desaconselhava riscos….
Mas o atleta precisava de ajuda e era dos que cumpria o que se lhe pedia. Ao fim de 45 dias estava a jogar e a marcar, assumi algum risco, com o conhecimento do atleta e do treinador, mas ganhamos e o atleta ficou sem limitações.

Luís SimõesDirector Geral


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